quarta-feira, 25 de agosto de 2010

E no entanto... se move!

Após ler no jornal uma nota sobre um engarrafamento que durou nove dias (http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=838710), volto minha lembrança para um dos meus contos inesquecíveis escrito por Julio Cortázar e publicado no livro Todos os fogos o fogo em 1966.


No conto A auto-estrada do sul, Cortázar descreve um congestionamento na estrada que liga Fontainebleau a Paris, e os sentimentos contraditórios de “enclausuramento em plena selva de máquinas concebidas para correr”.
Iniciado como uma marcha lenta, como se um acidente tivesse acontecido adiante, logo os carros ficam completamente parados. Passam-se as horas, depois os dias, e os meses, e os motoristas nunca ficam sabendo exatamente a causa do congestionamento.
Aos poucos, os motoristas cujos carros estão mais próximos começam a estabelecer relações entre si. Uma senhora morre; um casal se forma e decidem ir viver juntos no automóvel de um deles; os adultos se revezam para cuidar uns das crianças dos outros; organizam-se para conseguir comida e água com os motoristas mais distantes.
Nunca ficamos sabendo os nomes dos motoristas, eles são denominados pelo nome de seus automóveis.
Um dia qualquer, depois do verão, da primavera, da neve, os carros à frente começam a se mover. Todos entram em seus autos, a coluna põe-se “de novo em marcha, lentamente durante alguns minutos, e logo após como se a auto-estrada estivesse definitivamente livre”, umas pistas mais rápidas que as outras, os carros se distanciando uns dos outros em alta velocidade, “sem que já se soubesse bem para que tanta pressa, por que essa correria na noite entre automóveis desconhecidos onde ninguém sabia nada sobre os outros, onde todos olhavam fixamente para frente, exclusivamente para a frente”.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Canções sem fronteiras



Virginia Capibaribe canta (e encanta) Carrossel de Sonhos,
sua composição em parceria com Luiz Eduardo Monteiro. 
Guitarra: Luiz Eduardo Monteiro
Violão: Rodrigo Saboya
Percussão: Julio Braga
Apresentação do projeto "Canções sem fronteiras" no CCJF, RJ.

sábado, 21 de agosto de 2010

Até onde a vista alcança...

Praias do Ceará

Depois de um longo, ensolarado, ventoso e caloroso recesso esse blog volta à ativa com novos olhares, novas cores e algumas histórias.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Lairreym, lairroooou

A Rural (Arruma a Mala Aê)
Neo Pi Neo
Arrumamalaê, arrumamalaê,
Arrumamalaê
A rural rai arribá
Arrumamalaê, arrumamalaê,
Arrumamalaê
A rural rai disabá
Ramu rêru má,
Ramu rêru má,
Ramu rêru má
Ramu é na rural
Nóyrramu érêru má,
Ramu rêru má,
Ramu rêru má
A rural rai disabá
Ramu na areia nãum,
Ramu na areia nãum,
Ramu na areia nãum
A rural rai atolá
Ramu na areia nãum,
Ramu na areia nãum,
Ramu na areia nãum
A rural rai atolá
Decê pa impurrá,
Decê pa garrá,
Decê pa impurrá
Ya rural disatolá
Ramu decê pa impurrá,
Ramu decê pá garrá,
Decê pá impurrá
Ya rural disatolá-aa
(para ouvir clique aqui: http://www.youtube.com/watch?v=QB2___V8GeM)

Talismã
Alceu Valença • Geraldo Azevedo
Diana me dê um talismã, talismã
Viajar, você já pensou ir mais eu viajar
Quando o sol desmaiar vou viajar
Olha essa sombra, esse rastro de mim
Olha essa seta, essa réstia de sol morena

Pense em Mim
Douglas Maio • José Ribeiro • Mário Soares
Vamos pegar o primeiro avião
Com destino a felicidade
A felicidade,a flicidade pra mim é você
Pense em mim
Chore por mim
Liga pra mim
Não, não liga pra ele
Pra ele
Não chore por ele

Tropicália
Caetano Veloso
Sobre a cabeça os aviões, sob os meus pés os caminhões
Aponta contra os chapadões meu nariz
Eu organizo o movimento, eu oriento o carnaval
Eu inauguro o monumento no Planalto Central do país
Viva a bossa-sa-sa, viva a palhoça-ça-ça-ça-ça

Conversando no bar
Milton Nascimento • Fernando Brant
A primeira Coca-cola foi
Me lembro bem agora, nas asas da Panair
A maior das maravilhas foi
Voando sobre o mundo nas asas da Panair

Medo de Avião
Belchior
Foi por medo de avião
Que eu segurei
Pela primeira vez
A tua mão
Agora ficou fácil
Todo mundo compreende
Aquele toque Beatle
I wanna hold your hand

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Holanda x Espanha

Jogador de futebol, gravura de Aldemir Martins

Domingão, família reunida para suculento almoço e o derradeiro jogo da Copa. Torcida dividida, bem dividida. Depois de esgotarmos os argumentos político-histórico-futebolísticos passamos para uma divertida listagem dos talentos pictóricos de cada país.

Holanda de cara apresentou Rembrandt. Espanha contratacou com Velasquez. Holanda aparece com Veermer. Espanha com Goya e Rubens. Holanda reage com Frans Post e Eckhout, e não satisfeita reforça seu time com Karel Appel e Mondrian. Espanha com força total mostra Picasso, Miró e Dalí. Holanda vem com tudo: Van Gogh. Impasse geral. E aí veio o golpe fatal... Penélope Cruz, uhhhh, os garotos suspiram. Na sequencia, Javier Bardem. UHHHHHHHH. Garotas vão à loucura. E assim foi, todo mundo vibrou quando a Espanha marcou gol.

PS: Todos escolherem vinho como a bebida oficial do almoço. Vinho antes, durante e depois do jogo!

Argonautas

Me enterneço com a poesia e a ambiguidade dos versos eternizados por Pessoa

Navegar é preciso, viver não é preciso”