domingo, 20 de dezembro de 2009

O avesso, do avesso, do avesso

Três livros inquietantes sobre o universo familiar. Três autores brasileiros com uma precisa narrativa.

Lavoura Arcaica, 1975, do paulista Raduan Nassar, se passa nos arredores de Pindorama, região oeste do estado de São Paulo.
Dois irmãos, 2001, do amazonense Milton Hatoum tem Manaus como cenário.
Galiléia, 2008, do cearense Ronaldo Correia de Brito, viagem a Inhamuns, sertão do Ceará.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Abc...

Ontem fui à minha livraria favorita e fiz uma farra danada: me presenteei com novas publicações e aproveitei para comprar presentes para pessoas queridas. Livraria é o meu parque de diversões. Todos os sentidos ficam a postos. Fico louca, quero ver tudo ao mesmo tempo... toda a profusão de cores, formatos, letras e histórias possíveis simplesmente me deixam fora de mim, ao mesmo tempo que entro em contato com o meu mais profundo eu (uiiiiii!).

Meu primeiro livro inesquecível ganhei aos 4 anos de idade, e acho que foi a semente do que sou hoje profissionalmente, tão pequenina eu sabia: queria fazer livros como aquele. Flicts. O frágil e feio e aflito flicts... Sei esse livro decor e saltedao e algumas frases, alguns sentimentos são tão pulgentes que eu ainda hoje me comovo ao ler ou lembrar. Minha edição tem um formato grande, capa dura e é impresso em papel couché brilhante. Uma delícia de se ver, de manusear, de ler. Faço aqui minha homenagem a ele e agradeço ao Ziraldo por ter me aberto essa possibilidade.


“Eu achava que os livros eram como as flores e as pedras,
achava que eles simplesmente existiam, quando descobri que eram feitos por gente eu também quis fazer.”
Clarice Lispector


Enquanto escrevo penso em alguns títulos que adoro, então vai aqui uma listinha básica de livros que, para mim, são imprescindíveis, livros que sempre que são relidos me revelam algo novo. Não entrarei no mérito do porque nem quando foram lidos e por qual razão se tornaram importantes, mas provavelmente são livros que eu levaria para uma ilha deserta.


Fica pra uma outra hora a lista dos livros de poesia, dos teóricos, das crônicas, dos romances policiais, dos quadrinhos e tantos outros estilos que devoro...

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Dama da noite

En nuit de luna plena... la reina
Blue moon
Richard Rodgers • Lorenz Hart
Blue moon
You saw me standing alone
Without a dream in my heart
Without a love on my own…

Pastorinhas
Noel Rosa • João de Barro
A estrela d’alva
No céu desponta
E a lua anda tonta
Com tamanho esplendor
E as pastorinhas
Pra consolo da lua
Vão cantando na rua
Lindos versos de amor

Folia no Matagal
Eduardo Dusek
O mar passa saborosamente a língua na areia
Que bem debochada, cínica que é
Permite deleitada esses abusos do mar
Por trás de uma folha de palmeira
A lua poderosa, mulher muito fogosa
Vem nua, vem nua
Sacudindo e brilhando inteira
Vem nua, vem nua
Sacudindo e brilhando inteira

A Lua
Renato Rocha
A Lua
Quando ela roda
É Nova!
Crescente ou Meia
A Lua!
É Cheia!
E quando ela roda
Minguante e Meia
Depois é Lua novamente
Diiiizz!...

Aconteceu, virou cordel!

Lá no meu Ceará o povo é rápido, criativo e não perde uma piada por nada. Bastou pintar um assunto novo que já tão fazendo verso. Hoje logo cedo o Inácio Carvalho, que sabe tudo de política e de comunicação, postou no seu blog Do Carvalho o cordel do Arruda, que eu reproduzo aí abaixo.


Contra o Arruda, arruda na orelha
Raimundo Nonato Silva

O José Roberto Arruda
Pego com a mão na massa
Seria o vice de Serra,
Que é uma outra desgraça
Se a coisa continuar
Vai faltar DEMO na praça.

Arruda pra quem não lembra
É aquele que foi flagrado
Com o canalha ACM
No episódio lembrado
Por todos como a fraude
Do tal "painel do senado".

Ele na época era líder
Do governo FHC
Que comprou os deputados
Para se reeleger
Renunciou entre prantos
Pra ninguém o prender.

Era o P S D B
O seu partido de então,
Parceiro de Sérgio Naia
E outros éticos de então
Foi para o P F L
Recebeu uma promoção.

Saiu na revista Veja
Nas tais páginas amarelas
Mas para sair ali
Desembolsa a bagatela
De 400 mil mangos
Pra revista "Zé ruela".

Explico: ele comprou
Sem qualquer licitação
400 mil da Abril
E daí a rasgação
De seda da tal revista
Para o político ladrão.

Agora o tal Arruda
Esperneia, baba, mija
Só porque foi apanhado
Com a boca na botija
Aponta pra José Serra
Diz: Careca não se aflija.

José Serra que também
Não é flor pra se cheirar
Haja vista o Roubo-Anel,
No povão a desabar
E o buraco do metrô
Sobre o qual não quer falar.

Não esqueça Yeda Crusius,
A raposa lá do sul
Protegida pela mídia
Que enxerga tudo azul
Enquanto o Rio Grande afunda
Num asqueroso Paul.

Arruda já prometeu
Dizer tudo o que ele sabe
Já disse que enviou
Bufunfa para o Kassab
E que o Roberto Freire
Disso também não se gabe.

No Distrito Federal
Diretora de uma empresa
Acusa Augusto Carvalho
De tomar parte em torpeza
Secretário de saúde
Do PPS é certeza.

Segundo essa diretora,
O montante desviado
Em parte a Roberto Freire
Era na hora enviado.
Grana do propinoduto
Por Arruda instalado.

O tal Durval que está
Até o pescoço imerso
Já responde na justiça
A mais de trinta processos
É o grande articulador
De um esquema tão perverso.

Cadê Agripino Maia
Refugo da ditadura?
Cadê Heráclito Fortes
Tão hedionda figura?
É o boca de sovaco
A mais feia criatura.

Esse Heráclito é chegado
Também a fazer trambique
Por funcionária fantasma
No seu gabinete chique
Tinha a filha do déspota
Maior, o Fernando Henrique.

Agora o caldo entornou
Mesmo com a mídia comprada
Arruda será cassado
E com arma disparada
Levará para o abismo
Toda a quadrilha montada.

Roberto Freire, Zé Serra
Heráclito e Agripino
Kassab e outras moléstias
Terão o mesmo destino
E o Brasil ficará livre
Desse grupo tão ferino.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Um banquinho, um violão, um piano, uma flauta... um talento sem fim


Esse é Egberto Gismonti. Acabo de me maravilhar com uma descontraída e despretensiosa aula de música. Gismonti foi o convidado desta noite no programa Sr.Brasil, de Rolando Boldrin. Papo ótimo, causos curiosos sobre João do Pife, da Banda Dois Irmãos de Caruaru e flautas norueguesas, pitadas técnicas e virtuosas entre o ser pianista e tocador de violão e o ser violonista e tocador de piano. Percussão, dedilhados, harmonia e muita simpatia.
Cresci ouvindo Gismonti e continuei ouvindo durante grande parte de minha vida. Delicioso sabor de descanso e inspiração é ouvir Lôro, Frevo, Palhaço, Cego Aderaldo, Maracatu, Dança dos escravos, Nó caipira e tantas outras.
Aos 13 anos fui com minha mãe assistir ao show Dança das Cabeças, na turnê do disco recém lançado. Guardo em minha memória cada detalhe do palco, dos músicos, da iluminacão e em dado momento, na minha percepção infanto-juvenil, entre o sono e a vigília, fiz uma verdadeira viagem tendo naquela música quase uma libertação. Lembro que criei histórias e desenhos... fui invadida por uma onda de criatividade. Não sei o que aconteceu no dia seguinte, se escrevi, se pintei, colori ou bordei - sim, sempre fui chegada em atividades manuais para extravasar a alma.
Hoje, ao ligar a tv e ver Egberto Gismonte ali, chamei meu filho João, jovem músico, e juntos curtimos a entrevista e música da melhor qualidade.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Espelho, espelho meu...

Recebi o video abaixo no dia da consciência negra (acho essa nomenclatura um tanto capenga mas vá lá, difícil reduzir uma idéia de igualdade a um dia e a duas palavras) e ele me fez pensar em duas coisas: como crianças tão pequenas já tem introjetadas uma imagem tão deturpada de si mesmas, e quem é a pessoa por trás da camera?

video

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Negra cor

As mulatas, de Di Cavalcanti

Seu Zé
Carlinhos Brown
O Brasil não é só
Verde, Anil e Amarelo
O Brasil também é
Cor de Rosa e Carvão

Negro Gato
Getúlio Cortes • por Luis Melodia
Eu sou um Negro Gato
de arrepiar
Essa minha história
é mesmo de amargar
Só mesmo de um telhado
aos outros desacato
Eu sou um Negro Gato

Meu Ébano
Neneo • Paulinho Rezende • por Alcione

É!
Você um negão
De tirar o chapéu
Não posso dar mole
Senão você créu!
Me ganha na manha e baubau
Leva meu coração...
É!
Você é um ébano
Lábios de mel
Um príncipe negro
Feito a pincel
É só melanina
Cheirando à paixão...

Nêga
Vevé Calazans • por Emílio Santiago
Nêga
Segura no pé dessa nêga
E o asfalto precisa do pé dessa nêga
Pra sambar na avenida do seu coração
Nêga
Segura no pé dessa nêga
E o asfalto precisa do pé dessa nêga
Pra sambar na avenida do seu coração

Sarará Miolo
Gilberto Gil
sara, sara, sara, sarará
sara, sara, sara, sarará
sarará miolo
sara, sara, sara cura
dessa doença de branco
sara, sara, sara cura
dessa doença de branco
de querer cabelo liso
já tendo cabelo louro
cabelo duro é preciso
que é para ser você, crioulo

Olhos Coloridos
Macau • por Sandra de Sá
Os meus olhos coloridos
Me fazem refletir
Eu estou sempre na minha
E não posso mais fugir...
Meu cabelo enrolado
Todos querem imitar
Eles estão baratinado
Também querem enrolar...
Você ri da minha roupa
Você ri do meu cabelo
Você ri da minha pele
Você ri do meu sorriso...
A verdade é que você
(Todo brasileiro tem!)
Tem sangue crioulo
Tem cabelo duro
Sarará, sarará
Sarará, sarará
Sarará crioulo...

Preta Pretinha
Galvão • Moraes Moreira • por Novos Baianos
Preta, Preta, Pretinha!
Preta, Preta, Pretinha!
Preta, Preta, pretinha!
Preta, Preta, Pretinha!
Enquanto eu corria
Assim eu ía
Lhe chamar!
Enquanto corria a barca
Lhe chamar!
Enquanto corria a barca
Lhe chamar!
Enquanto corria a barca...

Haiti
Gilberto Gil • Caetano Veloso
Quando você for convidado pra subir no adro da Fundação Casa de Jorge Amado
Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos
Dando porrada na nuca de malandros pretos
De ladrões mulatos
E outros quase brancos
Tratados como pretos
Só pra mostrar aos outros quase pretos
(E são quase todos pretos)
E aos quase brancos pobres como pretos
Como é que pretos, pobres e mulatos
E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados
E não importa se olhos do mundo inteiro possam estar por um momento voltados para o largo
Onde os escravos eram castigados

domingo, 15 de novembro de 2009

As flores da vila

De manhãzinha e anoitinha os aromas e as cores se espalham...
camélias, azaléias, damas-da-noite, jasmins, primaveras e folhas dos eucaliptos... assim é a vila madalena, sutilmente perfumada.

Vertiginosa Vertigem: OSGEMEOS

Não há palavras para expressar a incrível experiência de entrar no mundo fantástico, caprichado, criativo, lúdico e onírico desses grandes artistas. Uma deliciosa experiência sensorial.
Quem estiver em São Paulo não deixe de ir a essa exposição que está na FAAP até 10 de dezembro.

Bonita TV Fernandinhos

Duas chamadas na página de abertura da Uol desse domingo, 15 de novembro de 2009 chamam a atenção, quando se completa 20 anos da primeira eleição direta para presidente no Brasil.
Fernando Collor de Mello admitindo que sua relação com a TV Globo ajudou sua eleição em 89: Relações com a Globo eram 'excelentes'; meios de comunicação temiam governo 'comunista', diz Collor; e Fernando Henrique Cardoso finalmente assumindo a paternidade de seu filho de 18 anos com uma jornalista da TV Globo – que a emissora tratou de retirar de cena para não macular a imagem do então senador.
O que leva estes dois senhores irem agora a praça pública reconhecer o que toda a esquerda sabe desde 89 e 91? Hummm... tem caroço nesse angu!!!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Eles estão descontrolados

Quem não lembra da declaração: Cachorro é um ser humano como outro qualquer!!! Pois é, éssa pérola foi proferida pelo "imexível" Rogério Magri, ministro do trabalho em tempos equivocados, corruptos e irresponsáveis do Governo Collor. Na época isso causou indignação e merecida gozação, mas de alguns anos pra cá uma grande parte da população tem levado essa prática ao pé da letra.
É cachorro na padaria, na livraria, no shopping center, no supermercado, no elevador, no aeroporto ("viemos buscar os pais dela", fala pra mim uma senhora com um luluzinho no colo enquanto aguardava a chegada de sua irmã e cunhado)... cachorro com capa de chuva, com sapatinho, com lacinho, cachorro pintado de rosa e de azul. Não estou falando só de cachorrinhos pequeninos não, tenho visto cachorros de grande porte, cães de guarda, em situações ridículas.
Ontem enquanto fazia uma caminhada, medrosa que sou, ao avistar um cachorrinho meio suspeito (e feio, foi o schnauzer mais que feio que já vi na vida) já fui dando um jeito de sair da calçada para o meio fio. Pois o desgraçado deu uma carreira na minha direção, e como estava com uma coleira extensora quase conseguiu me abocanhar. Dei um grito e pulei e sua dona olhou pra mim completamente indignada e falou muito brava: CAAAALMA!!! Como calma se o seu animal quase me mordeu? Já vi crianças serem atacadas e os donos dos cahorros nem sequer se desculparem.
Gostar, criar e cuidar de cachorros não é problema, o companheirismo e a fidelidade canina sempre estiveram presente em toda a história do homem, o que me espanta, e me irrita, é a falta total de noção sobre o espaço que eles vem ocupando nas áreas comuns das cidades nos últimos tempos.
Não sei não, mas tenho a impressão que se o livro Revolução do Bichos fosse escrita hoje, George Orwell colocaria os cachorros na linha de frente da narrativa, e os porcos fariam parte da camada oprimida... E sinto dizer ao Waldick Soriano, mas sua canção tão famosa também está ficando um tanto anacrônica nesses tempos de soberania canina:
Eu não sou cachorro, não
Pra viver tão humilhado
Eu não sou cachorro, não
Para ser tão desprezado

domingo, 8 de novembro de 2009

Depende do referencial

O jornalista Mouzar Benedito conta uma história engraçada na revista Forum. Em 1970 ele chega para prestar vestibular no prédio da história da USP e vê uma movimentação imensa na frente de uma das salas. Um estudante esclarece o que está havendo: o pai do Chico Buarque está ali! O professor Sérgio Buarque de Holanda, um grande intelectual, historiador e autor de obras fundamentais sobre o Brasil havia se tornado o pai do Chico (imagino que sentisse muita honra nisso). Algumas décadas se passaram, e Chico Buarque continua sendo uma referência para muitas gerações. Mouzar conta então que nos idos de 90, acompanhando a cobertura do carnaval, uma repórter entra ao vivo direto de Salvador, ao lado do Chico Buarque:
- Estamos aqui com o sogro de Carlinhos Brown...

As vezes ao ler alguma notícia temos a exata noção da faixa etária de quem a escreveu. Essa semana, acompanhando a programação do Congresso do PCdoB entrei no link da simpática matéria sobre o show de Jorge Mautner na festa de encerramento do evento, e li o seguinte:
- Mautner é autor de Maracatu Atômico, música conhecida pela interpretacão de Chico Science.

Provavelmente muitos só conhecem o Gilberto Gil como ministro da cultura... Érico Veríssimo pode ser citado como o pai do Luis Fernando Veríssimo, a música Lady Madona pode ser um tributo dos Beatles a rainha pop e por aí vai. Pessoas que viram nome de rua... O tempo se encarrega de trazer novos significados. Algumas vezes traz o esquecimento, mas muitas outras, e isso é uma coisa muito legal traz a inovação, outras formas de expressão, novas interpretações e é isso que vai marcando a diferença entre as gerações...

Encerro aqui lembrando de um episódio vivido pelo fotógrafo Henri Cartier-Bresson (de quem sou admiradora-confessa). Estava ele num parque, com sua inseparável Laica portátil, fotografando quando ouve o comentário de um jovel casal que o observava:
- Olha só aquele senhor ali dando uma de Cartie-Bresson!!!

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Do lado esquerdo do peito


Hoje acordei pensando nas minhas amigas. Pensei em cada uma delas e senti um aconchego imenso no coração.
Tenho amigas muito especiais. Amigas de longa data, amigas recentes. Amizades que foram se construindo de maneiras diversas. Falo de amigas mesmo, não de conhecidas ou colegas circunstanciais, falo de pessoas que somam e que sabemos ser essa troca algo pra toda vida.
Nas últimas semanas tenho reorganizado papéis, fotografias, cartas e desenhos e nesse processo vários "filminhos" vão repassando na memória e no coração. Sou uma pessoa de sorte, meus dedos não são suficientes para contar todas elas.
Acho que ando mais emotiva do que de costume, melhor ir parando por aqui pois "tengo una lágrima asomada que yo no puedo contener..."

Breves Diálogos V

Na fila do supermercado, a mocinha do caixa pergunta ao simpático rapaz delicado e alegre que estava na minha frente:
- Nota fiscal paulista?
Ao que ele prontamente responde com ar faceiro:
- Nota franceeeeesa!!!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Falando português claro


Tem coisas que ouvimos por aí que, ou mai gódi, só rindo mesmo.

Um dia eu e meu filho escutamos um rapaz falando bravo no celular:
- Pô, eu to aqui de stand by esperando, esperando, esperando...

Em um treinamento de Help Desk (socorro mesa), após a apresentação sobre a nova ferramenta de suporte de informática uma das ouvintes pegunta para o analista:
- Noooossa, quanto tempo você levou para formatar isso?
- Uns três ou 4 meses, responde o rapaz.
- Full time???
- Aham... todo dia!

E outras coisinhas básicas que temos em nosso dia a dia, como dar o start em um job, fazer check-list e passar e-mails com o status do material... Mas mesmo com tanta correria sempre pinta um tempinho pra dar aquela "paradinha" para o coffee-break.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Breves Diálogos IV

No vestiário do clube, no feriado, uma garotinha de uns 5 anos conversa com sua mãe.
- Por que a minha amiga não veio pro clube hoje?
- Porque hoje é dia de ficar com o pai dela, responde a mãe.
- E tem dia pra isso?
Pausa...
-Por que eu não tenho um dia certo pra ficar com o meu pai? pergunta a menina
A mãe, com toda a calma do mundo, respira fundo e diz
- Porque a mamãe e o papai não são separados, e você vê o seu pai todo dia!

Eu e uma colega de trabalho resolvemos pedir um lanche já que íamos entrar noite a dentro fechando um livro na Sangari, empresa onde trabalhamos. Após fazermos o pedido em uma rede de lanches que possui nosso cadastro a mocinha que nos atendeu diz:
- Confirmando o pedido... entrega é na empresa Shangrilá!!!

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Pomar


Passaredo
Chico Buarque • Francis Hime
Ei, pintassilgo
Oi, pintaroxo
Melro, uirapuru
Ai, chega-e-vira
Engole-ventoSaíra, inhambu
Foge asa-branca
Vai, patativa
Tordo, tuju, tuim
Xô, tié-sangueXô, tié-fogo
Xô, rouxinol sem fim
Some, coleiro
Anda, trigueiro
Te esconde colibri
Voa, macucoVoa, viúva
Utiariti
[...]

Matança
Jatobá
Cipó caboclo tá subindo na virola
Chegou a hora do pinheiro balançar
Sentir o cheiro do mato da imburana
Descansar morrer de sono na sombra da barriguda
De nada vale tanto esforço do meu canto
Pra nosso espanto tanta mata haja vão matar
Tal mata Atlântica e a próxima
Amazônica Arvoredos seculares impossível replantar
Que triste sina teve cedro nosso primo
Desde de menino que eu nem gosto de falar
Depois de tanto sofrimento seu destino
Virou tamborete mesa cadeira balcão de bar
Quem pra acaso ouviu falar da sucupira
Parece até mentira uqe o jacarandá
Antes de virar poltrona porta armário
Mora no dicionário vida eterna secular
[...]
Caviúna, cerejeira, baraúna
Imbuia, pau-d'arco, solva
Juazeiro e jatobá
Gonçalo-alves, paraíba, itaúba
Louro, ipê, paracaúba
Peroba, massaranduba
Carvalho, mogno, canela, imbuzeiro
Catuaba, janaúba, aroeira, araribá
Pau-fero, anjico, amargoso gameleira
Andiroba, copaíba, pau-brasil, jequitibá

Morena Tropicana
Alceu Valença • Vicente Barreto
Da manga rosa
Quero gosto e o sumo
Melão maduro, sapoti juá
Jaboticaba teu olhar noturno
Beijo travoso de umbú cajá...
Pele macia
Ai! carne de cajú
Saliva dôceDôce mel
Mel de uruçú...
[...]

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Hã? Como? Que?


Tem coisas que fazemos que dá vontade de sumir, sair correndo, enterrar a cabeça. Um dos foras mais comuns da atualidade é enviar email por engano. Ai ai ai... conheço histórias terríveis de brigas familiares e demissões. É um constrangimento danado. Essa semana protagonizei uma situação dessa, nada grave, mas por um bom tempo fiquei me sentindo a pior das pessoas.
Outra coisa chata é não lembrar o nome de um conhecido quando encntramos por acaso ou então trocar o nome, as vezes passo muito tempo chamando uma pessoa por um nome e descubro que é outro... fazer o que?

Tem aquelas situações em empresa que são demais. Entra uma pessoa, evidentemente procurando um diretor ou gerente, se vira para toda a ralé que está ali trabalhando e pergunta:
- Não tem ninguém aqui?

Quando tinha uns 15 anos era toda metida a intelectual, lia e via tudo o que passasse pela minha frente. Pois um dos cinemas exibia uma mostra de filmes suecos e lá fui eu toda toda. Um pouco antes do início do filme meu acompanhante pergunta:
- Fê, existe Ingmar Bergman e Ingrid Bergman?
- Claaaaaaaro que nãããã, só existe o Ingmar Bergman, que é o diretor desse filme, é que as pessoas erram a grafia, é sueeeeeeeco!!!
Começa o filme e lá estão os letreiros, imeeensos, sobre a linda fotografia: Ingrid Bergman num filme de Ingmar Bergman.

Outro fora homérico que acabou rendendo boas risadas aconteceu em Barcelona. Estava lá com minha família e fomos convidados para um jantar na casa de uma amiga de Fortaleza que lá estudava. Assim que cheguei minha mãe me apresentou a um senhor elegante e um pouco afetado, camisa de seda, correntes de ouro... Esse é o Lúcio, entendi ele dizer que era brasileiro e soltei uma risada, meio óbvia (impossível não sermos brasileiros falando um autentico português com sotaque cearense com a maior desenvoltura) seguida do comentário:
- Você é brasileiro? Eu também sou brasileira. hahahahahaha
Um pouco depois minha mãe me puxa e diz, Fernanda, é o Lúcio Brasileiro! funhénhénhééé...
Lúcio Brasileiro era um colunista social todo badalado de Fortaleza. Foi uma esnobada e tanto!

Pior foi sábado quando um casal de amigos, muito queridos por sinal, Le e Le se mandaram para o Centro Cultural do Banco do Brasil, centro de São Paulo, com passos firmes entraram no prédio e se dirigiram ao andar da mostra de Marc Chagal. Chegando lá um moça os olhou com um ar superior e disse:
- Pois não?
- Sem titubear a Le respondeu: viemos para a exposicão! (que dãããrd)
- Só abre terça-feira, estamos montando!

Uma vez um senhor foi instalar umas cortinas na casa da minha mãe, mais precisamente em seu escritório. Chegando lá ele ficou interessado em saber porque tantos livros e até um computador. Perguntou algumas coisas até que minha mãe falou que era professora.
- Aah, a senhora é professora de colégio, né?
- Não, sou professora universitária, respondeu minha mãe com uma certa simplicidade.
Ele arregalou os olhos e disse:
- Sério, de F-A-C-U-L-D-A-A-A-D-E? Puuuuxa, não parece.
Minha mãe, com toda calma riu e falou, é eu entendo, as pessoas acham que na academia os professores são mais formais, né?
- Nãão, não é bem isso... é que a senhora não tem cara de ser tão inteligente!!!

Notícia nietzcheana

Neste final de semana o roubo da coleção de serigrafias da série Atletas assinadas por Andy Warhol ocupou uma parte dos noticiários sobretudo pela recompensa milionária oferecida pelo colecionador de quem as obras foram furtadas.

Ouvi o seguinte em um dos jornais da noite:
- Os ladrões entraram e não levaram NADA da casa, só os quadros.

domingo, 13 de setembro de 2009

Tropicalismo dominical

Domingou
Torquato Neto • Gilberto Gil

Da janela a cidade se ilumina
Como nunca jamais se iluminou
São três horas da tarde, é domingo
Na cidade, no Cristo Redentor - ê, ê
É domingo no trolley que passa - ê, ê
É domingo na moça e na praça - ê, ê
É domingo, ê, ê, domingou, meu amor
Hoje é dia de feira, é domingo
Quanto custa hoje em dia o feijão
São três horas da tarde, é domingo
Em Ipanema e no meu coração - ê, ê
É domingo no Vietnã - ê, ê
Na Austrália, em Itapuã - ê, ê
É domingo, ê, ê, domingou, meu amor [...]

London London
Caetano Veloso
[...]
Oh Sunday, Monday, Autumn pass by me
And people hurry on so peacefully
A group approaches a policeman
He seems so pleased to please them
It's good at least, to live and I agree
He seems so pleased, at least
And it's so good to live in peace
And Sunday, Monday, years, and I agree
While my eyes go looking for flying saucers in the sky
I choose no face to look at, choose no way
I just happen to be here, and it's ok

Domingo no Parque
Gilberto Gil
O rei da brincadeira
Ê, José!
O rei da confusão
Ê, João!
Um trabalhava na feira
Ê, José!
Outro na construção
Ê, João!...
A semana passada
No fim da semana
João resolveu não brigar
No domingo de tarde
Saiu apressado
E não foi prá Ribeira jogar
Capoeira!
Não foi prá lá
Pra Ribeira, foi namorar...

Tropicália
Caetano Veloso
Sobre a cabeça os aviões
Sob os meus pés os caminhões
Aponta contra os chapadões
Meu nariz
Eu organizo o movimento
Eu oriento o carnaval
Eu inauguro o monumento
No planalto central do país...
Viva a bossa
Sa, sa
Viva a palhoça
Ca, ça, ça, ça...
[...]
Domingo é o fino-da-bossa
Segunda-feira está na fossa
Terça-feira vai à roça
Porém!
O monumento é bem moderno
Não disse nada do modelo
Do meu terno
Que tudo mais vá pro inferno
Meu bem!
Que tudo mais vá pro inferno
Meu bem!...
Viva a banda
Da, da
Carmem Miranda
Da, da, da, da...

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Vozes e cores

video

Acabo de receber um email com este video muito legal. Enquanto assistia lembrei que um dos meus sonhos juvenis era ser cantora. Tinha tudo pra dar certo - adorava interpretar de várias formas minhas canções preferidas e sabia toooooodas as letras de tooooooodas as músicas - se não fosse por um ínfimo detalhe: não ter nenhuma afinação!!! Quando rolava uma roda com cantoria e violão eu tinha que cantar baixinho ou me contentar em ficar soprando as letras para não atrapalhar, a censura era violenta sobre minha voz. Que frustração. Bem, então pensei que poderia ser backing vocal e lá fui eu fazer um teste para o Coral da UFC... vexame total, como diria Caetano fora do tom, sem melodia... fui proibida de ser admitida!!!

E assim, só posso expressar minha (reprimida) arte musical através dos outros, mas saibam que os desafinados também tem coração...

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Banco contestador

Essa garotinha esperta, com seus eternos 6 aninhos e olhar crítico sobre o mundo ganhou um espaço simpático no coração de Buenos Aires, sua terra natal. Seu pai, o desenhista Quino ficou orgulhoso, espero que em breve Susanita, Felipe, Miguelito, Manolito, Guille y Libertad se juntem a ela. Vida longa a Mafalda!!!

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Navegando nas ondas

Radinho de pilha
Genival Lacerda
Fui pra cidade do rio de Janeiro,
trabalhei o ano inteiro e fiz ate serão,
A vida do Paraíba nao foi brincadeira,
De servente, de pedreiro pra ganhar o pão
Fiz economia, deixei de fumar,
comprei um radio de pilha e mandei pro meu bem
Fiquei muito revoltado quando regressei,
O radio que eu dei pra ela, ela doou pra alguém
Mas ela deu o radio,
Ela deu o radio e nem me disse nada, ela deu o radio
Ela deu sim, foi pra fazer pirraça, mas ela deu de graca,
O radio que eu comprei, e lhe presenteei [...]

Essa é pra tocar no rádio
Gilberto Gil
Essa é pra tocar no rádio
Essa é pra tocar no rádio
Essa é pra vencer o tédio
Quando pintar
Essa é um santo remédio
Pro mau humor
Essa é pro chofer de táxi
Não cochilar
Essa é pro querido ouvinte
Do interior [...]

Cantoras do rádio
Lamartine Babo • João de Barro • Alberto Ribeiro
Nós somos as cantoras do rádio
Levamos a vida a cantar
De noite embalamos teu sono
De manhã nós vamos te acordar
Nós somos as cantoras do rádio
Nossas canções cruzando o espaço azul
Vão reunindo num grande abraço
Corações de norte a sul [...]
Sonífera ilha
Titãs
Não posso mais viver assim
Ao seu ladinho
Por isso colo o meu ouvido
No radinho de pilha
Prá te sintonizar
Sozinha, numa ilha...

Vento de maio
Beto Guedes
Vento de raio rainha de maio estrela cadente
Chegou de repente o fim da viagem
Agora já não dá mais pra voltar atrás
Rainha de maio valei o teu pique
Apenas para chover no meu piquenique
Assim meu sapato coberto de barro
Apenas pra não parar nem voltar atrás
Rainha de maio valeu a viagem
Agora já não dá mais...
Nisso eu escuto no rádio do carro a nossa canção
[...]

Rádio de pilha
Sinhô Pereira
Meu rádio de pilha tá rolando Hardcore
Vejo as mulheres na esquina tentando a sorte,
sorte
Ligamos a tv e vimos a desordem
Estão em parafuso e o mundo gira hardcore
hardcore
hardcore

Radinho de pilha
Mc Papo
Nossa que som legal!Esse carro é seu?Hahaha!DJ!
Solta o graveMC PAPO & Blast Girls
Você não vai me conquistar com seu radinho de pilha
Eu quero um som que abala um carro de corrida

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Trilha urbana

Vejam um trecho do documentário produzido pelo grupo Paisagem Musical. nas ruas do centro de São Paulo. O projeto é uma iniciativa de Bruno Bevilacqua Aguiar, Henrique Figueiredo, Marília Garcia Senlle, Murilo do Val Soares, Raoni dos Santos Costa e Theodoro Condeixa, alunos da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.

sábado, 1 de agosto de 2009

Óculos musicais


Vampiro
Jorge Mautner
Eu uso óculos escuros pras minhas lágrimas esconder
E quando você vem para o meu lado, ai, as lágrimas começam a correr
E eu sinto aquela coisa no meu peito
Eu sinto aquela grande confusão
Eu sei que eu sou um vampiro que nunca vai ter paz no coração
Às vezes eu fico pensando porque é que eu faço as coisas assim
E a noite de verão ela vai passando, com aquele seu cheiro louco de jasmim
E eu fico embriagado de você
Eu fico embriagado de paixão
No meu corpo o sangue não corre, não, corre fogo e lava de vulcão
[...]

Como vovó já dizia
Raul Seixas • Paulo Coelho
Como vovó já dizia...
Quem não tem colírio
Usa óculos escuro
(Mas não é bem verdade!)
Quem não tem colírio
Usa óculos escuro
Hum!...
Quem não tem colírio
Usa óculos escuro
Minha vó já me dizia
Prá eu sair sem me molhar
Quem não tem colírio
Usa óculos escuro
Mas a chuva é minha amiga
E eu não vou me resfriar
Quem não tem colírio
Usa óculos escuro
A serpente está na terra
O programa está no ar
Quem não tem colírio
Usa óculos escuro
A formiga só trabalha
Porque não sabe cantar...
Quem não tem colírio
Usa óculos escuro
Quem não tem filé
Come pão e osso duro
Quem não tem visão
Bate a cara contra o muro
Uuuuuuuh!...

Óculos
Herbert Viana
Se as meninas do Leblon
Não olham mais pra mim
(Eu uso óculos)
E volta e meia
Eu entro com meu carro pela contramão
(Eu tô sem óculos)
Se eu tô alegre
Eu ponho os óculos e vejo tudo bem
Mas se eu to triste eu tiro os óculos
Eu não vejo ninguém
Por que você não olha pra mim? Ô ô
Me diz o que é que eu tenho de mal ô ô
Por que você não olha pra mim?
Por trás dessa lente tem um cara legal

Os óculos escuros de Cartola
Max de Castro
Uma lente negra protege os olhos
Dando chance a outros pontos de vista
Poesia mantida
Poesia cantada
Poesia pichada
Como consequência de vida
Pra que a raiva não nos forme
Com o mesmo peso e medida
O povo pobre faz da arte história
Como os óculos escuros de cartola

O charme dos seus óculos
Roberto Carlos • Erasmo Carlos
Gosto desse jeito discreto especial, por trás desses óculos que coisa mais sensual
Ar de executiva às vezes formal, beleza com um toque sexy intelectual
Seus óculos combinam até com seu cabelo, eu sinceramente gosto de qualquer modelo
Na verdade em você tudo fica bem, mas o charme desses óculos quem usa é que tem
Não tire esses óculos, use e abuse dos óculos

sábado, 25 de julho de 2009

Uma luz em meu ouvido

Pego emprestado do escritor Elias Canetti esse sonoro título para falar de música.

Hoje enquanto cantarolava uma música de Jordi Savall, compositor e regente catalão tocador de viola de gamba e especialista em música medieval, lembrei-me de como o descobri totalmente por acaso ao passar diante de uma loja de discos em uma viagem. O que tocava eram as músicas filme Todas as manhãs do mundo, que conta a história do músico Marin Marais e de seu mestre Sainte Colombe, no século 17. Aquela música invadiu minha alma e até hoje enche de vida minhas manhãs e minha casa.


Assim se deu também com Emir Kusturica que até então eu só conhecia como cineasta. Impossível passar batido por aquele som cigano-punk. O que é isso que está tocando? Era a trilha sonora do surreal Arizona Dream composta e interpretada por Góran Bregovc, Iggy Pop e Kusturica. Góran é filho de pai sérvio e mãe croata, astro de rock sem fronteiras musicais, junto com a cabo-verdiana Cesária Évora fez uma das músicas de Underground - Mentiras de guerra, na minha opinião o mais inquietante filme de Kusturica.



Recentemente a interpretação absolutamente maravilhosa do carioca Ulisses Rocha me tirou do chão ao entrar na seção de discos de uma livraria. Seu CD Fractals foi a melhor aquisição dos últimos tempos. Esse violonista e guitarrista traz novidades para canções clássicas de Adoniran Barbosa, Geraldo Vandré, Caetano, Ari Barroso, Jorge Ben e muitos outros.




quinta-feira, 23 de julho de 2009

Bolando as trocas

Tem coisa mais engraçada do que trocar nomes e expressões? Ontem numa descontraída mesa esse papo rendeu boas risadas, eis algumas pérolas que eu e minhas colegas ouvimos por aí, para não dizer que nós próprias andamos trocando as frases:

Uma falou em efeito catarata no lugar de efeito cascata enquanto uma amiga da amiga dizia com muita seriedade: passei espermicida nas ervas danadinhas, na verdade o que ela fez foi passar inseticida nas ervas daninhas.
É preciso reciclar... no prédio fazemos seleta coletiva, ou seja coleta seletiva. Uma vez eu procurava um restaurante chamado café com leite, mas quando o encontrei descobri que seu nome era pão com manteiga. São complementares, não?
Minha avó as vezes precisava tomar seu antiinflacionário, coisa impossível uma década atrás então eu levava o remédio correto: antiinflamatório!
Nessa mesma noite alguém perguntou qual a cor do esmalte que eu usava e respondi sem titubear: cinco passos da paixão, tiraram o maior sarro, com razão, o nome correto é volúpia...
E as conversas atravessadas? Num papo de trabalho sobre um livro de anatomia:
Onde fica a glande? - na garganta! Opa!!! vc está confundindo com a glote ou glândula... risadas, muitas risadas

E a lógica infantil, direta... Quando meu filho era pequenino veio me mostrar um machucadinho na planta do pé: mamãe, tá doendo aqui, olha, na folha do meu pé!!! Ele adorava desenhar em papel vegetal, ligava e pedia para eu levar pra casa papel planta.

Ahhh, livre pensar é só pensar...

sábado, 18 de julho de 2009

Olha pro céu...

Esse é o Rei do Baião, tem mais estrelas que Lampião!

Me considero uma pessoa de sorte por ter assistido muitos shows de Luiz Gonzaga. Era início dos anos 80 e eu morava em Fortaleza, todos os anos lá estava ele no BNB Clube, dividindo o palco com o afiadíssimo e doce Dominguinhos, e algumas vezes ao lado do grande João do Vale. O que mais me alegrava é que esse senhor era uma pessoa de hábitos simples e de muita simpatia, e assim sendo, sempre se hospedava no mesmo endereço, no Hotel Samambaia, modesto estabelecimento na esquina da Av. Duque de Caxias com a Rua 25 de março, simplesmente a um quarteirão da minha casa. Quantas vezes ao voltar do colégio Cearense, as 10 da noite, lá estava ele chegando ou saindo:
- Luiz Gonzaga!!! Eu dizia, quase petrificada ao ver aquela figura imensa (pra mim um gigante), sempre com seu chapéu.
- Boa noite menina! E me estendia a mão com seu sorriso aberto.
Outros passavam e diziam da maneira bem cearense:
- Mestre!
ao que Mestre Lua respondia seguido de um aceno com a cabeça:
- Doutor!

Minha vida é andar, por este país
Pra ver se um dia, descanso feliz
guardando a recordação, das terras onde passei
Andando pelos sertões, e dos amigos que lá deixei
Chuva e sol, poeira e carvão
Longe de casa, sigo o roteiro mais uma estação
E a alegria no coração
(Vida de viajante)

São 20 anos sem Gonzagão ao vivo, mas sua produção foi tão vasta que podemos nos deleitar com suas composições e sair forrozeando por aí... “Olha que isso aqui tá muito bom, isso aqui tá bom demais...”
A rede véia
Luiz Gonzaga

Eu tava com a Felomena
Ela quis se refrescar
O calor tava malvado
Ninguém podia agüentar
Ela disse meu Lundru
Nós vamos se balançar
A rede véia comeu foi fogo
Foi com nois dois pra lá e pra cá

Começou a fazer vento com nois dois a palestrar
Filomena ficou beba de tanto se balançar
Eu vi o punho de rede começar a se quebrar
A rede véia comeu foi fogo
Foi com nois dois pra lá e pra cá

A rede tava rasgada e eu tive a impressão
Que com tanto balançado nois terminava no chão
Mas Filomena me disse, meu véio vem mais pra cá
A rede véia comeu foi fogo
Foi com nois dois pra lá e pra cá

Portas e janelas da alma

por Man Ray

por Cartier-Bresson

por Sebastião Salgado

por Irving Penn

por Walter Firmo

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Sorria, meu bem, sorrrrrrrrrrrrrrria


Ontem li uma nota sobre a campanha lançada pelo Ministério do Turismo da França para que os franceses, os parisienses em especial, sejam mais simpáticos com os turistas americanos e ingleses em visita ao país. Resumindo: que passem a sorrir para quem leva dólares e libras à terra gaulesa. A matéria era ilustrada com uma foto de um aglomerado de pessoas formando um sorriso.

Bom, e daí? E daí que sábado assisti o belíssmo filme Bem-vindo. Trata-se da crônica da vida de um jovem rapaz curdo, que saiu de seu país por causa da guerra, e que pretende ir para Londres encontrar sua namorada. O garoto e alguns conhecidos levaram alguns meses até chegar em Calais, porto francês no canal da Mancha, cidade cenário do filme. Um filme sensível ao retratar as relações afetivas em um estado policial, absolutamente hostil a qualquer imigrante. Bem-vindo foi lançado no início deste ano e gerou bastante discussão e uma forte reação da direita pela denúncia de racismo e discriminação. O Partido Socialista Francês entrou com o projeto de lei Welcome (titulo original do filme) propondo a supressão do chamado "delito de solidariedade", artigo do Código de Entrada e Estadia de Estrangeiros, que penaliza com prisão de cinco anos e multa de 30 mil euros quem ajudar, transportar ou abrigar qualquer imigrante ilegal na França.

A França, meus amigos, nos receberá com imensa alegria e um grande sorriso desde que sejamos brancos e ricos!!!

domingo, 12 de julho de 2009

No mundo dos negócios

Meus amigos, quero informá-los que estou expandindo minha área de atuação. Espero que todos gostem do novo espaço. Eu e meu sócio-investidor, a InFe Corporation, teremos o prazer em recebê-los em nossa casa:

Ambiente sofisticado, cuidado em cada detalhe

Cardápio variado e programacão visual arrojada

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Breves diálogos III

São Paulo, todos sabem, consegue ter as quatro estações em um mesmo dia. Semana passada, depois de um amanhecer ensolarado, o tempo muda e a chuva toma conta. Uma amigona com quem trabalho fala:
- Mas não tem jeito, é a Lei de Jefferson... basta vir de sandália que chove.
- Hããã? Lei do que?
- ...Aquela que vc faz uma coisa e acontece outra.
- Ahhh, Lei de Murphy!

Minha sobrinha, antenada e desligada ao mesmo tempo, ouvindo meu pai comentar que trocou de provedor após meses de dor de cabeça e falta de acesso à internet, comenta:
- Vovô, lá em casa também tem Net Vírgula.

sábado, 4 de julho de 2009

Poeta da Luz


Plates

Ingo Maurer é um mestre, um artista, um designer da luz.
Tive a oportunidade de conhecer seu trabalho em uma exposição em São Paulo, em 2004. Desde então me comovo com sua poesia, me divirto com seu humor e aprendo com suas arrojadas inovações tecnológicas.

A clássica Bulb

Minha conexão com a luz começou absolutamente por acaso. Estava num pequeno hotel de Veneza, no quarto, quando uma simples lâmpada me chamou a atenção. Ela estava nua, dependurada no teto, despojada de qualquer acessório. Eu me apaixonei por aquilo. Era realmente muito bonito. Havia uma simbiose entre a poesia e a técnica. Eu senti que deveria fazer alguma coisa. Fiz um desenho. E, como estava em Veneza, procurei um artesão que trabalhava com vidro na cidade de Murano para executar o desenho. Quando voltei para casa, fiz a parte de metal da luminária, que chamei de Bulb, e as pessoas adoraram. Eu não tinha formação como designer, havia estudado tipografia e artes gráficas, mas acreditei que aquele era um belo negócio.” (Entrevista a IstoÉ, fev. 2004)

The LED table
Bird, bird, bird
Lágrima de Pescador
Lágrima de Pescador
“A maioria das pessoas não tem consciência de que pode usar a iluminação a seu favor, muitos daqueles que se sentem infelizes dentro de casa têm uma iluminação inadequada.”

Eurocondom, crítica a lei ambiental européia que proíbe lampadas incandescentes opacas

Luster